O Brasil e os turcos
Eram os Estados Unidos, até bem pouco, os senhores absolutos da América Latina, mas, pelo que pensam os analistas brasileiros, a região – apesar de ainda dominada por Washington, com mais estratégia do que diplomacia – passou a sofrer alterações, consideradas para melhor, diante de tantos intercâmbios. As nossas embaixadas, inclusive, dobraram as suas tarefas, encaminhando a Brasília notícias sempre atualizadas a respeito, por exemplo, de chineses, iranianos e russos, embora outros governos de fora do continente, apesar ainda de tímidos, venham marcando cada vez mais presença na área.
Crescem, por exemplo, as esperanças de que a Turquia – ainda injustamente fora da Comunidade Européia, por puro preconceito – se aproxime com mais velocidade do Brasil e do continente, sendo este momento considerado excelente, quando nossos dois governos, atuando em conjunto, ajudaram o Irã a encontrar parte do seu caminho nuclear, ‘que vem sendo alvo de certo destempero internacional’, conforme palavras de alta patente da Marinha.
É bem vista, por sinal, a intenção de empresários turcos em se estabelecerem entre nós, com vistas ao Mercosul, tendo as declarações recentes dos presidentes respectivos da Câmara de Comércio de Istambul, Murat Yalçintas, e da Comissão Brasil/Turquia de Comércio (além de vice da Federação das Indústrias da Turquia), Mehmet Aykut Eken, sido bem avaliadas, e não só por nossos funcionários desses setores.
A verdade é que, a expansão da política externa do Brasil, quebrando barreiras e tabus, também nos levou a crescer os olhos para a política exterior da Turquia. Entende-se que o seu governo exerce um papel, neste momento, muito mais ágil, quer junto à OTAN (onde se integra), quer em relação ao Oriente Médio. Examina-se com lupa os desdobramentos das relações diplomáticas e estratégicas turcas com Tel Aviv ou a respeito de como Ancara trabalha sua problemática curda. Espera-se, pois, que não nos separemos depois de trocas positivas de opiniões, a três, com Teerã, esperando os brasileiros, pelo que se ouve falar, que possamos trocar mais análises, não apenas nos campos comercial e diplomático.
Data: 17 de maio de 2010




A voz lúgubre e terrorista que alcançou a Presidenta da Argentina, a bordo de seu helicóptero de trabalho, assustou a burocracia oficial de Brasília, não só pela novidade desse tipo de ação nos dias contemporâneos. As primeiras impressões por aqui, embora ainda preliminares, são no sentido de que o desespero radical de hoje – filho e neto do gerenciamento anticomunista, nascido a partir dos Anos 60 em maternidade norte-americana – continua a render seus frutos, com desdobramentos aparentemente autônomos.
A ascensão do Presidente Barak Obama foi saudada por milhões de pessoas honestas, pelo mundo afora, como um sopro renovador na política dos Estados Unidos, depois do Período Bush. A lua-de-mel, no entanto, para os ingênuos, durou muito pouco, diante da barbárie com que Washington segue tratando suas relações internacionais. Funcionários brasileiros, por exemplo, parecem cada vez mais alarmados com o retorno do tacape ‘diplomático’, onde os golpes de Estado e as ameaças com o dedão apontando voltaram a ser algo normal.
O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gaves, continu a imaginar que a população mundial é formada por débeis mentais, como é próprio, aliás, da mentalidade de seu país, em relação ao resto da Humanidade. Acaba de declarar, em programas de televisão arquitetados, que ninguém nos Estados Unidos sabe, ‘há anos’, por onde anda aquele velho comparsa norte-americano de atividades profissionais anticomunistas e terroristas, Osama bin Laden! Parece que continuam fortes as saudades desse bom amigo, a ponto de, volta e meia, seus camaradas de Washington voltarem a despistar, inocentes, dizendo que perderam a pista de um companheiro tão amado de aventuras e desestabilizações pelo mundo afora.