Uuuaaauuu…
A expressão pública de gozo pessoal, por parte da Sra. Hillary Clinton, ao tomar conhecimento da prisão do ex-dirigente líbio Muamar Kadafi, causou perplexidade não só nos círculos oficiais brasileiros, o que não quer dizer que o ex-Presidente, dizimado por compatriotas, a serviço da OTAN, seja anjo ou demônio. A verdade é que toda essa política, cada vez mais escaldante, no Oriente Médio ainda reflete os restos de uma guerra-fria entre capitalismo/comunismo, por diversas razões. Uma delas – por incrível que pareça – é que o modelo vigente na região, até há pouco, de feroz anticomunismo religioso, interessou ao próprio Ocidente, junto à rapina do seu petróleo, até que movimentações internas, nos respectivos países, passaram a criar problemas para os próprios aliados antimarxistas, inclusive, em Israel.
O agravamento da crise mundial (não só) econômica, a partir das crescentes dificuldades internas e externas, dos Estados Unidos, também mexeu no status quo árabe/islâmico. Vemos agora todos os dias o agravamento nas relações Estados Unidos/Paquistão, por exemplo, que culminaram com Washington rompendo um pacto bilateral. Os norte-americanos, por razões múltiplas, viram-se obrigados a liquidar, no próprio solo paquistanês, um amado comparsa de terrorismo, Osama Bin Laden, que se refugiara no país aliado com aprovação mútua, de ambas as partes.
Ou seja: o Ocidente perdeu por completo – digamos – o controle sobre o Oriente Médio, obrigando-se a aceitar reveses e, ao mesmo tempo, criar soluções imperiais que, de certa forma, também desgostam seu aliado regional mais fiel, a poderosa Arábia Saudita. Criou-se até o eufemismo de que – livre das amarras de Washington – a OTAN passar a agir, como se fosse autônoma, por ali, na base da bomba e do avião invisível. A ordem era – e continuará assim – desestabilizar dirigentes que, enfraquecidos em seus dilemas internos e diante de rivalidades na vizinhança, teriam de largar o poder, por bem ou por mal, em favor de uma democracia sem qualquer tradição histórica, importada do Ocidente.
A manifestação de júbilo da Secretária Hillary Clinton é apenas uma pequena amostra, em sua alegria nervosa e – segundo uma patente militar – com tintas sádicas, quanto às cada vez maiores dificuldades dos Estados Unidos no Oriente Médio, que devem se agravar com a votação da ONU relacionada ao desejo legítimo da OLP, em se tornar um Estado, livre e soberano. E por que não?, o Ocidente não criou rapidamente um, artificial, com a ajuda da OTAN, chamado Kôsovo?
Foi terrível, para Washington, ter ainda de combinar com Israel sobre a soltura de pouco mais de mil prisioneiros palestinos, em troca apenas de um soldado pálido e amedrontado, que, tão logo se viu livre, pediu entendimento a todos os lados do conflito, visando a paz duradoura… Uuuaaauuu, expressou-se a senhora, gostosamente alto e quase em delírio, diante das primeiras imagens de um Muamar Kadafi semimoribundo, que, até há bem pouco, perdoado pelo Ocidente, também passaria a colaborar contra o terrorismo regional…
Será que ela também se expressou da mesma forma, diante da declaração dos novos dirigentes líbios, assegurando que o país seria regido pela sharia? E agora? Apoiar esse sistema religioso, nos dias de hoje, já não é o mesmo como no passado, causa outros tipos de incômodo político, os direitos humanos atuais são tão diferentes…
Data: 24 de outubro de 2011




A voz lúgubre e terrorista que alcançou a Presidenta da Argentina, a bordo de seu helicóptero de trabalho, assustou a burocracia oficial de Brasília, não só pela novidade desse tipo de ação nos dias contemporâneos. As primeiras impressões por aqui, embora ainda preliminares, são no sentido de que o desespero radical de hoje – filho e neto do gerenciamento anticomunista, nascido a partir dos Anos 60 em maternidade norte-americana – continua a render seus frutos, com desdobramentos aparentemente autônomos.
A ascensão do Presidente Barak Obama foi saudada por milhões de pessoas honestas, pelo mundo afora, como um sopro renovador na política dos Estados Unidos, depois do Período Bush. A lua-de-mel, no entanto, para os ingênuos, durou muito pouco, diante da barbárie com que Washington segue tratando suas relações internacionais. Funcionários brasileiros, por exemplo, parecem cada vez mais alarmados com o retorno do tacape ‘diplomático’, onde os golpes de Estado e as ameaças com o dedão apontando voltaram a ser algo normal.
O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gaves, continu a imaginar que a população mundial é formada por débeis mentais, como é próprio, aliás, da mentalidade de seu país, em relação ao resto da Humanidade. Acaba de declarar, em programas de televisão arquitetados, que ninguém nos Estados Unidos sabe, ‘há anos’, por onde anda aquele velho comparsa norte-americano de atividades profissionais anticomunistas e terroristas, Osama bin Laden! Parece que continuam fortes as saudades desse bom amigo, a ponto de, volta e meia, seus camaradas de Washington voltarem a despistar, inocentes, dizendo que perderam a pista de um companheiro tão amado de aventuras e desestabilizações pelo mundo afora.